Qual o Tempo Limite? Descubra o Intervalo Crítico para Fornecer o Colostro Bovino
Quando falamos em colostro bovino, não estamos tratando apenas da primeira mamada do bezerro, e sim de um verdadeiro “pacote de sobrevivência” entregue pela vaca logo após o parto.
Nessa secreção inicial estão concentradas imunoglobulinas, energia, vitaminas e fatores de crescimento que determinam a saúde do animal por toda a vida produtiva.
O ponto-chave é o tempo: o intestino do recém-nascido é capaz de absorver anticorpos de maneira eficiente apenas nas primeiras horas. Depois, essa capacidade despenca.
De forma prática, o ideal é que o bezerro receba a primeira dose de colostro em até 2 horas após o nascimento. O limite máximo, para ainda garantir boa transferência de imunidade, gira em torno de 6 horas.
Passado esse intervalo crítico, a absorção das imunoglobulinas cai rapidamente, aumentando o risco de diarréias, pneumonia e mortalidade nas semanas seguintes.
Por que o intervalo crítico é tão importante?
O bezerro nasce praticamente sem defesa imunológica específica. Diferente de outras espécies, ele não recebe anticorpos suficientes pela placenta durante a gestação.
Toda a proteção passiva virá do colostro. Do ponto de vista fisiológico, o intestino do neonato é “poroso” para as moléculas grandes de imunoglobulinas somente nas primeiras horas.
A partir das 6 a 12 horas, começa um processo de “fechamento” intestinal, reduzindo drasticamente essa passagem.
Na prática de fazenda, atrasar o fornecimento significa converter um manejo aparentemente simples em uma perda silenciosa de desempenho: mais medicamentos, maior média de idade ao primeiro parto, menor ganho de peso e, em muitos casos, descarte precoce de animais que jamais expressam seu potencial genético.
Como garantir qualidade e quantidade adequadas de colostro
Não basta respeitar o relógio: é preciso olhar para três pontos básicos; volume, concentração de anticorpos e higiene. Em geral, recomenda-se fornecer de 10% a 12% do peso vivo do bezerro em colostro nas primeiras 6 horas, fracionado em duas ou três refeições iniciais.
Ferramentas como colostro balls auxiliam na conservação e manejo desse recurso valioso, padronizando doses e reduzindo perdas. Elas permitem uma abordagem mais organizada, principalmente em sistemas com maior número de partos diários.
Outro ponto crítico é a contaminação por bactérias, que competem com a absorção de imunoglobulinas. Uma ordenha limpa, utensílios higienizados e armazenamento refrigerado ou congelado de excedentes fazem muita diferença.
A combinação de bom manejo com soluções específicas para o uso diário ajuda a transformar o colostro em um verdadeiro “investimento sanitário” da fazenda.
Proteção completa: não é só colostro
Mesmo com um protocolo impecável de colostro bovino, o bezerro continua vulnerável ao frio e ao estresse ambiental, especialmente em regiões de clima mais rigoroso ou em épocas de transição de estação.
Aqui entram recursos complementares, como o uso de manta térmica para bezerros, que contribui para reduzir o gasto de energia com aquecimento corporal e direcionar essa energia para crescimento e imunidade.
Ao combinar oferta correta de colostro, controle de ambiência e ferramentas específicas de manejo, o produtor cria um “escudo” em volta dos neonatos, diminuindo a incidência de doenças e elevando a taxa de sobrevivência e de crescimento.
Essa visão integrada é o que diferencia sistemas básicos daqueles que realmente enxergam o bezerro como o futuro do rebanho leiteiro ou de corte.
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